O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player

O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player

NEURORREABILITAÇÃO

COLABORAÇÃO ENVIADA DE BRASILIA, PELA NOSSA AMIGA CUIDADORA MARIA SOLANGE,
A MÃE DA AMANDA. OBRIGADA!

NEURORREABILITAÇÃO

Novas esperanças começaram a surgir a partir dos anos 70, quando vários centros de reabilitação foram criados nos Estados Unidos e em outras partes do mundo.

A medicina passou a estudar cada lesão cerebral individualmente, a elaborar regimes terapêuticos específicos com base em medicamentos e fisioterapia personalizados.

O progresso foi sensível, ainda que ninguém sonhasse com as técnicas de imageamento cerebral, que apareceram na década de 80. Mas foi com o advento da ressonância magnética funcional (FRMI), nos anos 90, que se tornou possível estudar a atividade de cérebros vivos.

“A técnica de diagnóstico por FRMI permitiu examinar pela primeira vez as engrenagens cognitivas de portadores de transtornos da consciência”, diz o neurocientista Joy Hirsch, da Universidade Colúmbia. Em 1992, cientistas descobriram que esse tipo de varredura podia mapear alterações no fluxo sangüíneo de diferentes áreas do cérebro, sinalizando quais estavam funcionando durante qualquer pensamento ou estimulação sensorial.

Nos anos seguintes foi possível diferenciar entre padrões de resposta passiva a estímulos e de pensamento deliberado, o que é crucial para o exame do cérebro do indivíduo cujo estado de consciência é desconhecido.

De lá para cá a técnica de FRMI foi aperfeiçoada a ponto de os cientistas darem comandos aos pacientes e analisar suas reações minuto a minuto. Com isso, muitos consideram que estamos na iminência de nos comunicar com essas pessoas.

Obviamente nem todos os pacientes em estado vegetativo conseguem se recuperar; em alguns deles simplesmente não restou estrutura cerebral suficiente. "Temos vários casos com claras chances de recuperação, mas infelizmente não são todos”, diz Owen.

Esse foi o caso da americana Terri Schiavo, que permaneceu anos em estado vegetativo e virou notícia quando seus pais contestaram a decisão do marido de interromper a alimentação e deixá-la morrer.

O imageamento cerebral já havia mostrado que parte considerável de seu cérebro
estava atrofiada; os médicos foram unânimes em afirmar que o caso dela era irreversível.
Contudo, o prognóstico dos pacientes com transtorno de consciência nem sempre é definitivo e inalterável.

O cérebro é um órgão frágil, mas pode reagir de forma inesperada. Em alguns casos, as vítimas estão conscientes do seu entorno, mas são incapazes de reagir. Outras, ainda, inconscientes e desacordadas.

O desafio da medicina de reabilitação é identificar todas essas possibilidades.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Os transtornos da consciência são divididos em três categorias:
• Coma, em que o paciente não está vigilante nem responsivo;
• Vegetativo, em que está vigilante, mas não-responsivo;
• Minimamente consciente, em que o indivíduo está vigilante, reage a estímulos, mas tem capacidade limitada de realizar ações intencionais.

Em geral, os médicos fazem essas classificações pela observação visual do paciente no leito.
“Costumamos pedir à pessoa que nos diga se está consciente. Realmente, é um método muito impreciso”, afirma Owen.

No estudo coordenado por Owen, publicado em setembro de 2006 na Science,
os médicos pediram a uma paciente em estado vegetativo que se imaginasse fazendo diversas tarefas, como jogar tênis e caminhar pelos cômodos de sua casa. Enquanto isso seu cérebro era analisado por meio da FRMI.

Os resultados mostraram imagens comparáveis às de pessoas saudáveis: ela compreendia os comandos e decidia se obedecia ou não.

A varredura por FMRI gera uma enorme quantidade de dados cuja análise leva tempo.
Um experimento de poucos minutos pode demandar vários dias de trabalho de interpretação.
“O momento eureca não aconteceu com a moça deitada dentro do aparelho. Só duas semanas depois percebemos que ela realmente esteve jogando tênis em pensamento”, explica o médico.

Além disso, a análise de dados revelou que ela já estava se recuperando, ainda que os primeiros
sinais físicos externos só fossem aparecer mais tarde.

Essa detecção precoce, segundo os pesquisadores, poderá dar origem a novos tratamentos − medicamentos, cirurgia ou fisioterapia − muito mais eficazes.

Atualmente, a equipe de Owen trabalha num protocolo para "conversar" com a mente de pacientes em estado vegetativo, empregando os mesmos princípios básicos do seu experimento inicial.
"Se o paciente imaginar que joga tênis, isto significará sim`. Se imaginar que caminha pelos
cômodos de sua casa, significará `não`", explica o médico.
Praticando com indivíduos saudáveis, os médicos aprenderam a distinguir esses dois tipos de resposta em menos de um minuto.
Se tiverem sucesso, serão os primeiros a “conversar” com uma mente enclausurada.

É claro que ainda levará tempo para que essa tecnologia esteja disponível em hospitais.

Por ora, a FMRI para diagnosticar pacientes com transtorno de consciência, e para se
comunicar com eles, é usada em poucos laboratórios de pesquisa, em parte porque o custo
do equipamento é muito alto, da ordem de alguns milhões de dólares. Mas com os resultados
positivos já obtidos, é provável que nos próximos anos a medicina consiga libertar muitas pessoas
condenadas ao leito do hospital.

Pesquisa feita pela Maria Solange, gentilmente enviada a APC como colaboração.

Texto de autoria de: Karen Schrock


Karen Schrock é jornalista e editora da revista Scientific American Mind.

 


Voltar Topo